sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

História de um palhaço [1],

Já era possível ouvir o lugar enchendo, murmurios e alguns passos abafados aumentando a cada instante indicavam que hoje a casa estaria cheia, até que restaram somente o som das vozes por mais algum tempo, e então inesperadamente as luzes se apagaram e o silêncio tomou conta do lugar. E uma, apenas uma luz se acendeu no meio do picadeiro e uma cadeira aparecera em seu centro. O show enfim começara!
Ali, a passos curtos, se aproximava um homem, vestido em um macacão folgado preto com alguns desenhos em cinza, usando um chapéu nada convencional e uma maleta na mão esquerda, e logo deu para se notar a dificuldade com a qual o homem se deslocava, sua velhice fora comprovada pelos cabelos grisalhos que o chapéu não conseguia cobrir.
De cabeça baixa ele se aproximara da platéia, e aos poucos começou a levantar o rosto para todos. Com o rosto todo pintado de branco e apenas uma lágrima desenhada descendo de um deles ele sentou-se e repousou durante alguns segundos, e então colocou a maleta em seu colo e a abriu, tirando de seu interior duas marionetes: um menino e uma menina.
Aos poucos ele começou a contar-lhes com os bonecos a história de amor dessas duas crianças, que cresceram e foram criadas juntas desde pequenos, em um pequeno orfanato, em uma pequena cidade que se localizava no centro de duas cidades em guerra, e ali acabara se tornando um campo de batalhas entre as duas. Crianças órfãs era algo terrivelmente comum naquela cidade, e eles dois não eram uma exceção. Mas aprenderam a confiar e apoiar-se sempre um no outro, para poder superar todos os males e dificuldades que teriam pela frente.
O tempo foi passando e os dois juntos foram sobrevivendo, e enquanto dizia isso, as marionetes como que por mágica foram crescendo e ficando mais velhas acompanhando o enredo da história. Passaram por grandes dificuldades e algumas vezes quase se separavam, mas o amor que cada um sentia pelo outro impedia que isso acontecesse e só fortalecia ainda mais aquela união entre os dois.

[...]

Benevides.

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