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Pronto, estava acabado. E naquele momento Júlia tentava controlar os sentimentos que tentavam desesperadamente sair, e os únicos lugares que ela não pôde conter foram frestas entre os olhos, por lá despencaram tudo o que antes estava adormecido, mas que agora acordara em um turbilhão de pensamentos. Seu primeiro movimento após a tragédia fora soltar aquele objeto que carregava em sua mão, que agora parecia pesar mais do que seu próprio corpo.
Alívio.
Diante de Júlia encontrava-se um corpo, apenas ele, sem mais nenhuma alma habitando-o. Ela não sabia quem era, de onde vinha e nem por que estava lá... na verdade sabia o que ele queria, mas não entendia o porquê daquilo. Já tinha ouvido falar sobre alguns casos semelhantes, porém somente na televisão, internet. Não assim, ao vivo e a cores, acontecendo ali, com ela. Era muito pior do que o que ela poderia imaginar, toda aquela cena voltando em flash's rápidos, deixando-a tonta com a rapidez com que eles iam e vinham. Uma sensação de mal-estar começara a lhe atormentar, toda sua força já se esvaíra e não conseguindo mais lutar contra tudo aquilo, caiu no chão e lá se acomodou na espera de que alguém chegasse para lhe buscar.
Muito tempo se passou desde que o incidente ocorreu, e depois daquele dia Júlia nunca mais foi a mesma, mas não pense que ela se abateu por isso e ficou mais frágil. Pelo contrário, ela se fortaleceu em cima desse medo e pôde com ele ajudar muitas mulheres que sofreram e sofrem algo semelhante ao seu caso.
Júlia Mendes de Sá, se tornou uma grande advogada no Brasil e hoje é considerada uma das maiores defensoras na luta contra a violência contra mulheres. Ela usou o que tinha e até o que não tinha para ajudar a enfrentar casos como o dela.
Não se deixe vencer pelo seu medo, sobreviva. Somos maiores do que ele.
Benevides.
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