terça-feira, 7 de junho de 2011

Medo,

Ao abrir os olhos percebo que não me encontro mais no mesmo lugar no qual havia repousado para descansar antes de continuar as tarefas que me esperavam o resto do dia. Algo mudou, mas ainda não percebo o quê ou quem, precisaria de um pouco mais de tempo nesse local para poder receber as novas informações. Decido então dar uma vasculhada no que poderia ter mudado, e vou andando bem devagar para que nenhum detalhe passasse despercebido pelos meus olhos, que estavam bem abertos para que isso não viesse a acontecer. Tudo parecia muito normal, as coisas estavam nos seus devidos lugares, apenas eu me movia naquele espaço. O silêncio era tão grande que já estava me incomodando, preferi sair a procura de pessoas, animais... barulho.
Já na rua, me sinto melhor, vejo pessoas andando de um lado para outro, árvores que balançavam com a força do vento, enfim ali havia vida. Continuo minha procura pelo que tinha mudado, me sentia melhor mas não completo, ainda faltava algo.
Depois de algum tempo outra coisa começara a me incomodar, ninguém parecia me notar, era como se eu não estivesse ali. Foi então que percebi que a única coisa que eu não tinha reparado era em mim mesmo, quando me dei conta, ninguém nem nada mudou, eu que não era mais o mesmo, na verdade, eu não era eu. Quando olhei para mim, não havia roupa, corpo, nem mais nada além de uma sombra que acompanhava o meu andar. Entrei em desespero e não sabia o que pensar, como aquilo havia acontecido? E aonde estava meu corpo? Voltei para aquele local de onde eu acordara. E lá estava, quieto, como que em um sono profundo e eterno. Sempre quis me ver enquanto dormia, mas acho que aquela não era a maneira que eu havia pensado. Tudo agora era tão esquisito, mas algo me afligia mais do que qualquer outra coisa naquele instante... Ninguém estava lá, ninguém parecia se importar que eu não aparecera em algum compromisso; senti uma pena tão grande de mim, depois de tudo pelo qual eu tinha vivido, era ali que eu iria ficar para sempre, ou até que meu corpo se desfizesse e restasse apenas o pó. O que eu tinha feito para nem ao menos merecer aquela solidão? Ou será que eu deixara de fazer algo?
Resolvi ficar comigo, ainda na esperança de que alguém chegasse e todas aquelas minhas dúvidas seriam esquecidas. Restou apenas a esperança, mais nada.
E por ali permaneci ao longo de toda a eternidade, não queria reconhecer que tudo acabara da pior forma possível: sozinho.

Benevides.

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