Ela mesmo estando longe me fitou e por ali, em mim, repousou seus olhos. Estes pareciam estar tão cansados que era impressionante ainda estarem abertos, mas a determinação deles era ainda maior e continuaram a me fitar. E quando me dei conta já estava perdido naqueles olhos, que ficavam lindos ao encontro do sol. Havia algo que nos mantia conectado, que sussurrava no meu ouvido que aquela menina do outro lado da rua, não seria apenas mais uma menina a qual eu me interessaria e depois perderia tal interesse, sabia que se não me movesse naquele exato momento perderia a oportunidade que tanto esperei um dia ter.
Respira, inspira. Respira, inspira. Tomei a coragem que precisava e até um pouco mais, caso na hora as coisas não dessem muito certo. E lá fui eu. A cada passo que eu dava me sentia mais preso àquele olhar, mas eu gostava daquilo. Uma sensação que eu nunca havia sentido antes, uma mistura de tanta coisa boa se resumia aquele momento.
Quando percebi ela pairava a minha frente, e de repente seus olhos cansados criaram vida, para me encantar mais. Parecia que ela fazia aquilo de propósito. Se o fez, deu certo. Haviam milhares de coisas que poderiam ser ditas ali, mas não consegui juntar as palavras, elas se embaralhavam na minha cabeça. Eu não conseguia prestar atenção em mais nada além daqueles olhos recém nascidos. A única reação que tive foi abrir o maior sorriso que meus lábios poderiam proporcionar. E a resposta foi melhor do que qualquer coisa que eu poderia ter pensado.
Ela simplesmente falou:
- Ainda bem que você chegou.
Benevides.
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