As luzes se apagaram e um novo mundo foi criado. Por incrível que pareça, mesmo com as luzes apagadas as coisas, as pessoas, os objetos, agora estão muito mais visíveis. Poderíamos nos soltar mais facilmente, soltar aquilo que está dentro de nós esperando para ser exposto, sair do fundo, do vazio que nos preenchia e que se encheu de sentimentos, os melhores, os piores, todos eles, misturados em uma solução que parecia não funcionar, mas que nos dava uma energia. Não éramos mais nós mesmos, atrás da porta estariam os nossos verdadeiros "eus" esperando para ir para casa, voltar a nossa vida cotidiana, mas naquele momento com as luzes apagadas era tudo o que importava, quem estava conosco naquele momento fazia daquele momento o melhor a cada segundo.
Não precisávamos mais nos preocupar com nada, pessoas, trabalho, colégio, tempo. Aquela solução de sentimentos ocupava todos os espaços, não restava mais nada, apenas aquilo. E podíamos aproveitar até que acabasse, porém mesmo acabando haviam outros momentos como aqueles, dessa vez que seriam assistidos, mas não menos importantes.
E agora dava para ver como os outros se sentiam quando me viram, mas elas não estavam constrangidas, eu não estava. Todos se importavam com o que faziam, com o que viviam.
Até que algo que antes não nos preocupava, faz com que tudo acabe. Passou-se tanto tempo que nossos "eus" que estavam lá fora ficaram agitados, e não queriam mais ficar ali, esperando... queriam ir embora.
As luzes se acendem.
Benevides.
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