Sempre gostei de brincar na minha casa quando mais novo, uma casa grande e um irmão tão brincalhão como eu, mas havia algo na casa ao lado que me encantava. Quando possível eu estava lá.
Uma senhora de cabelos grisalhos, disfarçados por uma pintura que nunca ficava por muito tempo, morava nessa casa. Não me lembro, em tanto tempo, vê-la algum dia com uma feição chateada, se bem que podia até estar triste com algo, mas nunca transparecia isso, quando eu chegava lá havia sempre um sorriso e um beijo de boas-vindas. Impossível não se sentir em casa com tanto carinho dado por ela, me sentia tão bem em sua casa quanto na minha, e acredite... eu realmente me sentia bem e confortável, acho que por isso que eu vivia lá, mesmo pra não fazer nada, apenas para ficar lá e ser paparicado por ela. Na casa dela sempre tinham muitas balas, pirulitos, doces, e que eu achava que era por causa que ela gostava de um docezinho de vez enquando, mas depois soube que ela só comprava porque sabia que eu e meus irmãos íamos para lá.
De tempos em tempos, tinha alguma moça que trabalhava cuidando dela, e até delas eu gostava, ficavam conversando e brincando comigo quando dava. E ainda haviam as filhas, os netos que sempre apareciam por lá, e me tratavam quase como da família.
Infelizmente não me lembro muito da minha infância, mas quando me refiro à casa ao lado só me vem boas lembranças, momentos bons e felizes. E mais infelizmente ainda, o tempo foi passando, cresci e não aparecia mais tanto lá. Os cabelos grisalhos foram tomando conta cada vez mais de sua cabeça, e sua saúde foi piorando a cada ano. E nesse ano, muitas coisas ruins já aconteceram, e uma delas foi a recente perda da minha querida vizinha, que se foi, mas que sempre ficará guardada com muito carinho em meu coração e no de todos seus familiares e amigos.
Felizmente sei que o céu está melhor e mais feliz agora, como eu me sentia quando passava o dia em sua casa. Levarei cada momento naquela casa, cada sorriso, beijo, abraço, doce, cada tudo.
Esse texto é dedicado a melhor vizinha que o mundo poderia ter me concedido, Dona Pasqualina, mais conhecida como Vovó Páscoa.
Benevides.
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